Missa aos domingos

Como de costume, aos domingos vou a missa. É um hábito religioso adquirido desde criança. Mesmo quando estou em viagens, nos lugares que já fui, Argentina, Chile, Portugal, Itália, Estados Unidos, se é domingo, procuro uma igreja, assisto a missa e faço minhas orações. Coisas de gente antiga.

E é na igreja, durante as missas, que a gente observa como tudo está mudado, em se tratando do ritual e do respeito que as pessoas têm aos dogmas e às práticas religiosas.

Em nome da liberalidade dos costumes, hoje é comum ver pessoas nas missas de bermuda, chinelos, sandálias havaianas e camisas de times de futebol. Celulares são ligados durante as cerimônias. E não são garotos não. São homens maduros, adultos e até idosos. Mulheres de todas as idades vão de saias curtíssimas, vestidos decotados, mostrando quase tudo para quem estiver interessado. E já não causam espanto.

Na Pompeia, bairro da zona leste de Belo Horizonte, ainda outro dia, anos 60, os padres capuchinhos ditavam as ordens. Moças de blusas sem mangas, sem véu na cabeça, não podiam comungar. Adolescentes que não confessassem uma vez por semana, não fossem vistos nas missas comungando, não participavam das atividades sociais no bairro, não frequentavam o clubinho da igreja, não iam ao cinema dos padres, não jogavam futebol com os seminaristas nas tardes de quartas-feiras e nem depois das missas aos domingos. Para nós garotos, era o maior castigo do mundo.

Antigamente, a hóstia recebida era colocada na boca pelo padre, sacrilégio a gente pôr a mão nela, hóstia tinha que derreter na boca, era pecado mastigar o Corpo de Deus. Agora não. Você pega na mão, coloca na boca e sai mastigando.

Quem ajudava nas missas eram chamados Coroinhas, e somente dois, não se admitiam meninas, cada um ficava de um lado do altar, sacerdote rezava as missas em latim, de costas para os fiéis, e os garotos respondiam as falas do padre com frases decoradas, também em latim. Ai do menino que respondesse errado…

Antes das missas era obrigatória a confissão individual. Agora é comunitária. Em cada igreja havia um ou mais confessionários, cabines de madeira onde o padre ficava sentado ouvindo os pecados dos fiéis. E haja pecados. As filas eram enormes. Crianças e adultos, jovens e idosos, homens e mulheres, cabeças baixas, terço na mão, medo da condenação, temor das penitências recebidas. Centenas de Pai Nosso e Salve Rainha para os pecadores veniais, promessas de inferno, fogo eterno para os pecadores mortais. Ah, se fosse hoje…

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