Lá se vão 30 anos

Lá se vão 30 anos, desde o dia em que levei minha sobrinha Eliane para os Estados Unidos. Parece que foi ontem, tão viva a lembrança em minha mente.

O mês era dezembro, 1986, dia 30, final de ano, aeroporto da Pampulha, ainda não existia Confins, Rio de Janeiro voo American Airlines até Boston, via Miami.

Dia 31, festas de Fim de Ano, cidade de Malborough, aquela da propaganda do cigarro, eu e Eliane alegremente recebidos, casa de Paulo e Marilac, muita comida e uísque legítimo, neve lá fora de metro e meio, temperatura de 15 graus abaixo de zero.

Fiquei nos Estados Unidos 12 dias, voltei em 96 com esposa e dois filhos, não aguentamos três anos, saudade do resto da família nos venceu. Eliane foi mais forte, uma guerreira, resistiu e venceu, está lá até hoje, casou duas vezes, tem três filhos, americanizou, é feliz.

Não foi fácil esta viagem, mas foi rápida, sonhada e decidida do nada em 30 dias. Eliane tinha sonhos de melhorar de vida, estava com 21 anos, havia poucas possibilidades no Brasil, como hoje. O caminho para o futuro era descobrir a América.

Dona Olga, vizinha de Aparecida, minha irmã, tinha filhos e parentes nos Estados Unidos e logo se prontificou a pedir-lhes que recebessem e dessem guarida a jovem que pretendia fazer a vida na América. Como muitos fizeram desde a década de 70, por opção econômica ou motivos políticos. Ainda estávamos na Ditadura Militar no Brasil.

Era preciso conseguir o visto para a sobrinha, muitos não conseguiam, fui com ela ao consulado no Rio de Janeiro, era dono da firma Guilherme Tel Telefones, e de lá voltamos autorizados a viajar, eu e ela vinculados nos passaportes. Se os recursos financeiros para um viajante eram poucos, com dois a situação ficou pior. Não desanimamos.

Vendemos uma linha telefônica da Alzira, mãe da Eliane, era um patrimônio valioso na época, compramos as passagens parceladas, de última hora meu cunhado Miguel emprestou 1.000 dólares para apresentar na imigração. Fizemos as malas, Eliane se empetecou toda, maquiou-se como uma miss e entrou num vestido longo como se a um baile fosse, eu dentro de um terno preto e gravata, sobra do meu casamento em 71.

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