Igrejas e Cemitérios

Eu sou do tempo em que igrejas e cemitérios ficavam abertos o dia todo e não precisavam de porteiros ou guardas para vigiar. Não havia roubos de imagens, nem objetos como dentes de ouro de defuntos.

Alguns cemitérios já não permitem velórios à noite, por medo de arrastões. Depois das seis fecham as portas, o falecido repousa sozinho, e só no dia seguinte as pessoas voltam para realizar o enterro.

Ninguém ousava entrar em um cemitério sem motivos, a qualquer hora, ainda mais à noite. O medo e o respeito aos mortos eram enormes. Eu, que morava na Pompeia, do alto da Rua Sílvio Romero via e imaginava raios saírem do chão das covas do cemitério da Saudade.

Agora, igrejas funcionam em expediente comercial, abrem as portas somente nos horários das missas, que são poucas, fecham para almoço, e à noite, depois das oito, trancas nas portas e luzes apagadas.

Até a tradicional Missa do Galo à meia-noite, hoje começa às 20 horas.

Lembro que até início dos anos 70, quem era católico, e era a maioria no Brasil, não passava em frente uma igreja sem parar e fazer o sinal da cruz. Era um ritual. Padres ainda eram vistos como a figura mais importante da cidade, mais que o prefeito, e crianças corriam ao encontro dos sacerdotes para pedir um santinho.

Rezar e confessar com o padre podia ser a qualquer hora, do dia ou da noite e a igreja estava sempre aberta. Quem furtasse alguma coisa de uma igreja, tinha a certeza bíblica que cometia pecado mortal e que sua alma iria queimar no fogo do inferno.

Diminuíram-se a fé e o respeito a Deus e às leis dos homens.

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