Footing: o desfile das moças

Footing,  no idioma inglês quer dizer ir a pé, e era a forma mais comum que as pessoas usavam para se mostrarem e despertar o interesse do outro, no caso, o sexo feminino se apresentando ao masculino. Era uma prática ainda mais comum nas pequenas cidades do interior, onde o costume prevaleceu até o início dos anos 70.

Em Belo Horizonte, durante os anos 60, havia pontos tradicionais de footing, onde moças e rapazes, jovens e adultos, desfilavam seus atributos físicos e seus interesses de simplesmente namorar. Não existia esse negócio de “ficar”. E transar com uma namorada era a coisa mais difícil.

As moças tinham um cuidado ao especial ao se enfeitarem, colocavam os melhores vestidos rendados, muitos engomados, era comum saias rodadas, bem abaixo dos joelhos. Mini-saia veio mais tarde.

Os locais de footing mais conhecidos e frequentados  em BH eram os do Bairro Funcionários, hoje chamado Savassi, ambiente mais chique, os da praça Duque de Caxias em Santa Tereza e o mais popular, da Igreja de São José, no centro da cidade.

De segunda a sábado, nos domingos depois da missa das 19 horas era melhor, em frente a Igreja de São José,  o desfile de mulheres era intenso. Os homens ficavam perfilados, de pé, ao longo de onde hoje é o estacionamento , e as moças, de todas as idades, belas outras não, desfilavam de um lado ao outro por várias vezes.  Nunca depois das 10 horas da noite.

Os homens, respeitosamente, e para chamar a atenção, ao passar aquela que lhe despertava, proferiam baixinho, quase sussurrando, palavras de gracejos. Eram elogios aos atributos físicos da moça, à sua  beleza, aos longos cabelos sedosos, aos  olhos verdes, azuis ou claros como a luz do luar. Não aconteciam palavrões. E quando o interesse feminino se manifestava por este ou aquele rapaz,  o gesto dela era  direcionar um olhar convidativo, sugerindo e aceitando que o pretendente a abordasse.

Emocionado, coração batendo a mil, o jovem se aproximava.O interesse ainda não estava confirmado. O footing prosseguia e o pretendente precisava desfilar ao lado da moça, quase sempre acompanhada de uma  amiga ou irmã, distribuindo seu estoque de palavras de amor decoradas para aquele momento. Se a conversa colasse, depois de umas três caminhadas naquela noite, o resultado positivo era um  encontro para o próximo sábado. De preferência num cinema. Chance valiosa de conseguir pegar na mão da moça.

Beijos, só se conseguiam da namorada, dois ou três meses depois.Assim mesmo no escuro do cinema. Em lugares públicos, na rua,  mulher que se prezasse não deixava nunca. “Amassos”, agarramentos, moça sentada no colo do namorado, só depois de anos de noivado, e olhe lá. Ficar, dormir na casa do namorado ou namorada, então, nem pensar. Uma vez acontecido e descoberto pelos pais, era casamento em trinta dias ou chumbo grosso na cara.

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