Cinemas dos tempos passados

Hoje, me veio saudade dos antigos cinemas de Belo Horizonte. Cine Tamoio, primeiro a exibir um filme em Cinemascope na cidade, aquela tela grande. O Manto Sagrado, com Victor Mature. O ano era 1955. Eu estava lá.

Cine Glória, breve existência, Av.Afonso Pena, entre São Paulo e Tupinambás, fez história ao exibir pela primeira vez em BH a tecnologia 3D, ano de 1956.  Pouca gente se lembra. O filme se chamava A Lança Partida com Spencer Tracy. Com 12 anos eu estava lá, junto com meu irmão Ignácio.

Quantas salas de cinema deixaram saudades em várias gerações passadas. Quem não se lembra das longas filas dos sábados e domingos para assistir os últimos lançamentos de hollywood nos cines Tupi, Metrópole, Guarani, Brasil e Acaiaca? E o Vento Levou, Assim Caminha a Humanidade, Da Terra Nascem os Homens, Os Brutos Também Amam, Spartacus, O Último Pôr do Sol.

Nossos heróis das décadas de 50 e 60 eram Gary Cooper, John Wayne, Steve Mc Queen, Kirk Douglas, Antony Quinn, Grace Kelly, Gina Lollobrígida.

Cinema nos finais de semana era um ritual de elegância e paciência. Os homens, jovens ou mais velhos, obrigatoriamente vestiam camisa de manga comprida, às vezes ternos, e as mulheres, moças solteiras e senhoras casadas, trajavam vestidos rodados, abaixo dos joelhos, brincos e o inseparável relógio de pulseira no braço. Inaceitável e deselegante era não comprar chocolates, dropes ou jujuba para a namorada.

Nos cinemas de bairros, e eram muitos, não se exigia tanta etiqueta, os preços eram mais baratos e os filmes exibidos mais antigos. Lançamentos do centro da cidade só chegavam aos bairros um ou dois anos depois.

Cine Floresta, Odeon, Santa Tereza, Santa Efigênia, Horto, Independência,  São Cristóvão, São José e São Carlos no Calafate, cine Candelária, Art Palácio, Paissandu e Vitória, quase todos, do centro e dos bairros pertenciam a uma única empresa, denominada Cinemas e Teatros de Minas Gerais, de propriedade do rico e folclórico empresário Antônio Luciano Pereira Filho. Raras casas, como o cine Pompéia, não faziam parte da rede, pertenciam aos padres capuchinhos.

E foi no cine Pompeia, ano de 1959, seis anos após seu lançamento oficial, que eu, então com 15 anos de idade, tive  o privilégio de assistir ao filme A um Passo da Eternidade, proibido para menores de 18 anos. Trabalhava na bomboniere do cinema. Proibido só por causa de uma cena antológica de um beijo e um abraço de Burt Lancaster e Debora Kerr deitados em uma praia, ele de calção e ela de maiô.

Quanta diferença dos dias atuais…

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