Pompéia, anos 60.

Casos e causos vividos no Bairro da Pompéia, em Belo Horizonte nos anos 50/60. Histórias e fotos de um grupo de jovens pertencentes à JUF-Juventude Franciscana, sob o comando dos Padres Capuchinhos.

Meu “velho” pai

Hoje ele, o meu pai, estaria com 117 anos. Faleceu aos 69 anos. Tanto tempo depois, e quanta saudade ainda. Lembro dele agora, sempre de chapéu, ficou calvo muito cedo, como eu. Fumava bastante, tomava uma pinguinha no almoço e no jantar, e quando ficava gripado, misturava com a folha de assa-peixe, remédio certo para não adoecer. Adorava um bom papo, tinha uma risada fácil, lia jornal todo [...]

Lembrando Osmar José Ganz

O ano era 1964, quanto tempo atrás, e como as coisas eram tão diferentes! E como a vida era tão simples, difícil, mas sem grandes ambições e contradições. Pobre era pobre, admitia isto, trabalhava para melhorar. Não se cobiçava, nem roubava os ricos. Família era Pai e Mãe, Escola era o segundo lar, meninos eram meninos, brincavam de bola, carrinhos, até brigavam na rua. Meninas [...]

Belo Horizonte, anos atrás…

Belo Horizonte já foi Cidade Jardim. Você sabia? Tinha árvores frondosas, ruas e avenidas eram todas arborizadas, avenida Afonso Pena era um tapete verde em nossas cabeças. Aí veio uma praga de mosquitinhos, chamados de “Amintinhas” em homenagem ao prefeito da época Amintas de Barros, que para resolver o problema mandou cortar todas as árvores. Aqui na Capital já tivemos trólebus em [...]

Sou daquele tempo

Eu sou do tempo em que palavra valia dinheiro, Casamento durava a vida toda. Sexo era para procriar, mulher casava virgem, Confessar e comungar só com véu na cabeça.   Sou do tempo em que amigo era fiel e não amante, Namorados se encontravam só à noite, às terças, quintas, sábados e domingos. Beijos eram dados e recebidos às escondidas, nunca durante o dia, sol quente.   Sou [...]

Igrejas e Cemitérios

Eu sou do tempo em que igrejas e cemitérios ficavam abertos o dia todo e não precisavam de porteiros ou guardas para vigiar. Não havia roubos de imagens, nem objetos como dentes de ouro de defuntos. Alguns cemitérios já não permitem velórios à noite, por medo de arrastões. Depois das seis fecham as portas, o falecido repousa sozinho, e só no dia seguinte as pessoas voltam para realizar [...]