AH, QUE SAUDADES EU TENHO!

Ah, que tristeza me dá, ser atleticano nesta hora. Humilhado com mais uma goleada. Eu que sou da Velha Guarda, torcedor que já viu o Galo vencedor, campeão, ganhar títulos, como o primeiro brasileirão em 71.

 

Que saudades me dá  um Ubaldo Miranda, o Miquica, que fazia gols espíritas, Murilinho, Buião, pontas-direitas, que driblavam e cruzavam com perfeição. Eu vi todos jogarem.

 

Ah, que saudades me dá, daquela defesa, Afonso, William, Bueno e Procópio. Como dói na lembrança um Lacy, crioulinho arisco que entortava os beques, quase virou um novo Pelé. Quantas saudades eu tenho do Vanderlei no meio campo, um Tião que lançava o Dario, que fazia gols de todo jeito. Eu vibrava com todos eles.

 

Ah, que saudade danada, de jogos inesquecíveis, Atlético versus Cruzeiro, América e Vila Nova. Quase sempre campeão. Galo contra o Brasil, ano de 69. Presidente militar na torcida, Brito e Fontana caídos no chão, Dario passando entre eles, vitória no Mineirão.

 

Convocação exigida, Dario derruba Saldanha, vira reserva do Rei, seleção se torna tri. Festa por todo o país.

 

Ah, quanta saudade que tenho, de um Reinaldo habilidoso, um Cerezo lutador e de um Éder explosivo. Saudades do mestre Telê, do bravo e temido Yustrich, que fazia repórter calar, jogador correr, lutar e se matar em campo. Respeito ao torcedor fiel.

 

Hoje, não se tem mais amor à camisa, dinheiro agora é que manda, futebol virou mercado, um grande negócio. Jogador quando perde não mostra vergonha, diz que é assim mesmo, jogo seguinte espera ganhar, torcedor tem que entender e aprender a lição.

 

Não vale a pena ter paixão, comprar e vestir a camisa do time. Galo já não é mais o mesmo, os tempos mudaram todos sabemos. Futebol tem que ser visto como espetáculo, um filme, uma peça, um show. Com isenção, sem fanatismo, torcendo apenas pela qualidade.

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