Acabou o carnaval. Acabou?

* Guilherme Cardoso

Acabou o carnaval! Acabou? Que nada! Tem gente bebendo e pulando pelas ruas das cidades até agora. Plena Quarta-Feira de Cinzas. Danem-se as dívidas, o trabalho e o patrão.

Antigamente, não tão antigamente assim, lá pelas décadas de 50 e 60, carnaval durava somente três dias. Nada mais que isso. Era o chamado tríduo carnavalesco. Ou seja, domingo, segunda e terça-feira. Na Quarta-feira pela manhã, todo mundo na igreja, cabeça baixa, arrependido dos excessos momescos, pronto para receber na testa as cinzas do perdão.

Não tinha esse negócio de Blocos da Quarta-feira, da Quinta e da Sexta-feira depois dos dias de carnaval. Figuras de Jesus Cristo, Nossa Senhora e santos não apareciam como estandartes de blocos carnavalescos. Pular depois dos três dias de festas era o que acontecia com a maioria dos foliões, que tinham que se virar para pagar as contas e os exageros assumidos e cometidos.

O povo respeitava os 40 dias da Quaresma. Fazia retiro espiritual, na Quarta-Feira passava cinza na testa, não comia carne vermelha, nem bebidas alcóolicas, e na Sexta-feira da Paixão, fazia penitências, jejuava, não varria a casa, não ouvia rádio, não assobiava, não falava alto, se recolhia num silêncio fúnebre.

Nesse dia, até as emissoras de rádio só tocavam músicas clássicas.

Era um tempo sem arrastões, violência, havia respeito às leis, às pessoas e às regras da ética e da moral.

São coisas do passado, de um tempo que não volta mais!

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