EU NÃO FAÇO DOAÇÕES
* Guilherme Cardoso
Vou dizer uma coisa que vai desagradar muita gente. Sou contra a ajuda solidária a povos distantes de nós, mesmo dentro do Brasil. E antes que digam que sou desumano, insensível, individualista e outras coisas mais, dou as minhas razões.
Observem o noticiário da última semana sobre os desvios de doações no Estado de Alagoas. Produtos enviados por várias partes do país para socorrer as vítimas das inundações naquele Estado estavam sendo desviadas por membros do Corpo de Bombeiros, entre eles soldados e um major. Pegavam os melhores objetos e levavam para casa ou vendiam no comércio local.
E não é a primeira vez que fato como esse acontece. Ano passado, quando da tragédia de Angra dos Reis, a imprensa noticiou e até filmou pessoas desviando do galpão da Defesa Civil produtos de qualidade para revender a terceiros. Gente e entidades que deveriam guardar e distribuir as doações, acusadas de desviar as mercadorias.
Desvios de verbas e dinheiro de toda espécie devem também acontecer nessas campanhas solidárias promovidas por algumas emissoras de televisão. Tem que ser muito inocente e acreditar demais para depositar 5,10,15,30 reais e até mais dinheiro em contas correntes que dizem arrecadar fundos para ajudar crianças aqui, na África e outros países.
Quem se lembra da campanha Ouro para o Bem do Brasil na década de 60?
Sou a favor é de que cada um ajude sim, o seu vizinho do lado, do bairro e no máximo de sua cidade, nas pequenas dificuldades e na sua necessidade sobrevivência. Nas grandes tragédias, de inundações, tempestades, desabamentos, quem deve socorrer com ajuda de vulto é o governo. Seja municipal, estadual ou federal. Para isto e outras coisas é que pagamos tantos impostos.
Quando posso ajudar e me está sobrando, vou a um asilo ou creche e levo minha contribuição. Em dinheiro ou material. Pode não ser bem aproveitada, mas pelo menos sei para quem eu dei.