QUE PENA, BRUNO

* Guilherme Cardoso

Tinha tudo para ser um vencedor e um bom exemplo para muitos garotos. Veio de família pobre, abandonado pelos pais, utilizou bem seu talento no esporte, virou atleta profissional, goleiro de dois dos maiores clubes do Brasil, respeitado pelas grandes atuações, lembrado para a seleção brasileira.

Jogou tudo no chão. A fama e o dinheiro subiram-lhe à cabeça, tornou-se arrogante, prepotente, envolveu-se em brigas, discussões e processos nos últimos anos. Agrediu mulher, deu declarações infelizes, apoiou quem não devia, enrascou-se em crime de seqüestro e homicídio. Acreditou na impunidade.

Ainda não assumiu a culpa, mas evidências e depoimentos são contra ele. Não há como se esquivar. Todos os suspeitos têm ligação com Bruno. A mulher assassinada era amante dele. O adolescente denunciante é seu primo, o carro com sangue é seu, o sítio, local do crime é sua propriedade. E o filho de quatro meses com Eliza foi tirado da mãe e deixado com outras pessoas pela esposa do Bruno.  Um crime premeditado.

Esta bola, o goleiro Bruno não vai defender. É falta grave demais. Nada parecido com um pênalti. A  Justiça vai chutar firme, rasteiro, e a bola vai passar entre suas pernas. Um frangaço!  Vencerá a Lei, o Bem triunfará sobre o Mal.

Pelos próximos 10 anos, Bruno não mais jogará profissionalmente. Estará no xadrez. Se quiser, tem lugar garantido no time principal da Penitenciária Nelson Hungria. Cheio de crack, a droga. Presídio com sobrenome de seleção européia e uniforme de detento na cor laranja, que dá para pensar em copa do mundo, no time da Holanda, finalista de 2010.

Que pena, Bruno, o jogo acabou. E você perdeu!

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