BEBI, BEBI, BEBI E NADA ACONTECEU…
* Guilherme Cardoso
“Bebi, bebi, bebi”, esta é uma curta frase que ganhou as manchetes dos veículos de comunicação de todo o Brasil nesta semana. Nada inédito, porque em duas outras ocasiões, o cidadão –motorista –bêbado já havia feito das suas e repetido a frase. Sempre na frente das câmeras e na cara das autoridades. E nada aconteceu…
Da primeira vez,em julho de 2008, embriagado, em alta velocidade, bateu em outro veículo, foi preso, solto, carteira apreendida, não recolhida. Outubro do mesmo ano, novamente embriagado, pego em blitz, foge, apanhado em casa, de pijama, não aceita o bafômetro, recebe multa. Continua com a carteira.
Agora, novembro de 2009, habilitação cancelada só na conversa, carteira no bolso, dirige em alta velocidade, bêbado de novo, levado à delegacia, grita, ofende, dá entrevistas, debocha da polícia e da lei, confirma que bebeu todas e não está nem aí. Na marra lhe tomam a habilitação, recebe outra multa, é solto, impunidade, vai para casa, certamente amanhã estará nas ruas. Bebendo e dirigindo. Como explicar para os nossos filhos?
Esta é a lei que temos: frouxa, lenta e que não educa e nem pune. Apenas faz de conta, estardalhaço nas blitz, autoridades buscam aparecer na mídia, fazem discursos, prometem mudanças e rigor. Tudo para depois das eleições.
Se quisessem reduzir os acidentes, acabar é impossível, bastaria ser duro, intransigente e a lei mais clara e objetiva. Bebeu, dirigiu, bateu, atropelou, foi pego, multa, perde a carteira na hora. Vai preso, cadeia mesmo, com grades, algemas, roupa alaranjada, nem que seja por uns dias, algumas horas talvez.
Humilhado, exposto na mídia, nome e rosto nos jornais, família, amigos tomando conhecimento, se o sujeito tiver caráter, bons princípios e vergonha na cara, com certeza nunca mais comete a mesma infração.
Bebeu, atropelou, tirou a vida de alguém? Não tem perdão, escapatória, preso na hora deve ser, fica na cela esperando julgamento chegar. Naquela velocidade da Justiça.
Só assim a realidade muda e a violência no trânsito diminui.