MANDE NOTÍCIAS, ÂNGELO PRAZERES

* Guilherme Cardoso

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Com atraso de mais de um mês fico sabendo da morte do Ângelo Prazeres. Irreparável perda. Mando minhas mensagens de pêsames à esposa e familiares agora. Também sou jornalista. Gilú, seu apelido, foi meu ídolo e mestre nas letras nos anos 60 e 70. Se ainda hoje escrevo bem alguma coisa, devo muito às suas crônicas no Diário de Minas, jornal Estado de Minas e por último, Super Notícias.

Meu filho mais velho tem o nome de Ângelo, em sua homenagem. Outro, é Márcio Rubens.

Tenho na lembrança memoráveis crônicas que ele escreveu nos anos 60 e 70. Uma, em plena ditadura militar, quando agradeceu e criticou um convite para uma solenidade com a presença do General Garrastazu Médici. Outra, intensamente romântica, em que ele respondia uma carta de uma menina cega, que se dizia sua admiradora e “invejava” o seu jeito de ver e comentar o cotidiano. Na crônica, um verdadeiro poema, o Gilú respondia a moça, dizendo-lhe  que ele via as coisas, as pessoas, a realidade, de um jeito muito duro, cruel, e que ela sim, embora não tivesse os olhos, podia ver o mundo com mais pureza, mais doçura. E que ele é que devia ter inveja dela.

Ângelo Prazeres, Márcio Rubens Prado e Félix Fernandes Filho, este o mestre de todos, foram leituras preferidas minhas, naqueles tempos de sonhos românticos e repressões, familiares e políticas. Recortávamos suas crônicas, líamos e interpretávamos, eu e dois amigos, João Alves, que se foi, e José Luiz, que ainda está, recolhido de tudo e de todos.

Você partiu antes da hora, fora do combinado, como diz Rolando Boldrin, apresentador de programa de TV. 68 anos! Um menino. Hoje, tem gente vivendo até os 100. Você sacaneou com todos, debochou, saiu de mansinho, no meio da festa, sem avisar.

Ganhou lugar lá no céu, como escriba. Deve estar brincando com as palavras, escrevendo textos sobre o cotidiano dos anjos, tornando mais “suportáveis” os dias sem fim que ficará por lá. E agradando o Mestre, com certeza.

PS- oh, não deixe de mandar notícias daí. Estamos esperando. Quem sabe, se forem boas, a gente até se anima a qualquer hora encontrar com você?

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