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A SELEÇÃO DO MANO MENEZES

* Guilherme Cardoso

Uai, não convocaram nenhum jogador do América Mineiro?  Com esta lista de jogadores do Mano Menezes, não seria nenhuma novidade se chamassem algum jogador do Deca-Campeão. E não é deboche não. Pela qualidade duvidosa e pelo total desconhecimento do futebol de alguns selecionados, no América tem gente melhor. Acharam dois no Galo…

Alguém já ouviu falar do zagueiro David Luiz e o meio-campista Ederson? E esse Jucilei do Corinthians, que sequer é titular? Ainda bem que parei de jogar futebol há uns 15 anos, senão corria o risco de ser convocado também. E  olha que eu fazia muitos gols nas peladas do Jaraguá.

Com certeza esse não será o time do Brasil para a Copa de 2014. Vai acontecer o mesmo da Era Dunga. Convoca-se centenas de jogadores, a maioria sem talento, eles se valorizam, são vendidos  para o exterior e muitos deles jamais voltam a seleção. São usados apenas para fazer dinheiro.

Jogar na seleção brasileira já não é sinônimo de atleta especial, diferenciado, craque. Qualquer cabeça-de-bagre já vestiu aquelas camisas que no passado pertenceram a nomes como Pelé, Tostão, Garrincha, Rivelino e Zico.

Naquele tempo sim, ser chamado para a seleção brasileira era a maior consagração e um atestado de qualidade para quem estivesse entre os convocados.

EU NÃO FAÇO DOAÇÕES

* Guilherme Cardoso

Vou dizer uma coisa que vai desagradar muita gente. Sou contra a ajuda solidária a povos distantes de nós, mesmo dentro do Brasil. E antes que digam que sou desumano, insensível, individualista e outras coisas mais, dou as minhas razões.

Observem o noticiário da última semana sobre os desvios de doações no Estado de Alagoas. Produtos enviados por várias partes do país para socorrer as vítimas das inundações naquele Estado estavam sendo desviadas por membros do Corpo de Bombeiros, entre eles soldados e um major. Pegavam os melhores objetos e levavam para casa ou vendiam no comércio local.

E não é a primeira vez que fato como esse acontece. Ano passado, quando da tragédia de Angra dos Reis, a imprensa noticiou e até filmou pessoas desviando do galpão da Defesa Civil produtos de qualidade para revender a terceiros. Gente e entidades que deveriam guardar e distribuir as doações, acusadas de desviar as mercadorias.

Desvios de verbas e dinheiro de toda espécie devem também acontecer nessas campanhas solidárias promovidas por algumas emissoras de televisão. Tem que ser muito inocente e acreditar demais para depositar 5,10,15,30 reais e até mais dinheiro em contas correntes que dizem arrecadar fundos para ajudar crianças aqui, na África e outros países.

Quem se lembra da campanha Ouro para o Bem do Brasil na década de 60?

Sou a favor é de que cada um ajude sim,  o seu vizinho  do lado, do bairro e no máximo de sua cidade, nas pequenas dificuldades e na sua necessidade sobrevivência. Nas grandes tragédias, de inundações, tempestades, desabamentos, quem deve socorrer com ajuda de vulto é o governo. Seja municipal, estadual ou federal. Para isto e outras coisas é que pagamos  tantos impostos.

Quando posso ajudar e me está sobrando, vou a um asilo ou creche e levo minha contribuição. Em dinheiro ou material. Pode não ser bem aproveitada, mas pelo menos sei para quem eu dei.

QUE PENA, BRUNO

* Guilherme Cardoso

Tinha tudo para ser um vencedor e um bom exemplo para muitos garotos. Veio de família pobre, abandonado pelos pais, utilizou bem seu talento no esporte, virou atleta profissional, goleiro de dois dos maiores clubes do Brasil, respeitado pelas grandes atuações, lembrado para a seleção brasileira.

Jogou tudo no chão. A fama e o dinheiro subiram-lhe à cabeça, tornou-se arrogante, prepotente, envolveu-se em brigas, discussões e processos nos últimos anos. Agrediu mulher, deu declarações infelizes, apoiou quem não devia, enrascou-se em crime de seqüestro e homicídio. Acreditou na impunidade.

Ainda não assumiu a culpa, mas evidências e depoimentos são contra ele. Não há como se esquivar. Todos os suspeitos têm ligação com Bruno. A mulher assassinada era amante dele. O adolescente denunciante é seu primo, o carro com sangue é seu, o sítio, local do crime é sua propriedade. E o filho de quatro meses com Eliza foi tirado da mãe e deixado com outras pessoas pela esposa do Bruno.  Um crime premeditado.

Esta bola, o goleiro Bruno não vai defender. É falta grave demais. Nada parecido com um pênalti. A  Justiça vai chutar firme, rasteiro, e a bola vai passar entre suas pernas. Um frangaço!  Vencerá a Lei, o Bem triunfará sobre o Mal.

Pelos próximos 10 anos, Bruno não mais jogará profissionalmente. Estará no xadrez. Se quiser, tem lugar garantido no time principal da Penitenciária Nelson Hungria. Cheio de crack, a droga. Presídio com sobrenome de seleção européia e uniforme de detento na cor laranja, que dá para pensar em copa do mundo, no time da Holanda, finalista de 2010.

Que pena, Bruno, o jogo acabou. E você perdeu!

DERRUBANDO MITOS

* Guilherme Cardoso

Cá pra nós, esta Copa do Mundo foi repleta de decepções. Não só das seleções favoritas que não chegaram à final, mas principalmente pela qualidade do futebol apresentado pela maioria.

Não adianta dizerem que no lugar de seleções desclassificadas como o Brasil, Argentina, Itália, França e Inglaterra, as que ficaram, praticaram um futebol de melhor qualidade e por isso disputam os quatro primeiros lugares.

Sinceramente, não consegui ver nada de interessante nas equipes da Holanda e da Espanha que estão na final. A Alemanha até que surpreendeu um pouco, em algumas partidas, com um futebol diferente do que sempre praticou. Foi só.

O que falam da Espanha e Holanda, considerando-as grandes surpresas da Copa, representantes do melhor futebol praticado no momento, para mim é puro exagero, fruto da imaginação de muitos jornalistas. Não vi nada de anormal, espetacular, para concordar que holandeses e espanhóis jogam um futebol de primeira, objetivo..

Podem até serem considerados os melhores da atualidade, pelo simples fato que as demais seleções estiveram abaixo do esperado, exibindo um futebol de baixa qualidade. Isto é aceitável.

Outra coisa difícil de concordar é com o que dizem de alguns jogadores, eleitos pela mídia como foras-de-séries, craques de bola.  Desculpe-me discordar de quem acha que um David Villa, Xavi, Sneijder, Van Persie possam ser considerados craques. São jogadores comuns, esforçados, que de vez em quando fazem uma jogada mais objetiva.

Do jeito que andam jogando, nem um Kaká e Cristiano Ronaldo, eleitos melhores do mundo, podem ser considerados excepcionais. Melhores que eles, no momento, podemos até eleger os meninos do Santos, Ganso e Neymar.

Craques de verdade, foram Pelé, Tostão, Gérson, Romário, Maradona, e recentemente, Ronaldinho Gaúcho, que faziam o que queriam com a bola nos pés, e aplicavam dribles desconcertantes nos adversários e até ganhavam jogos sozinhos.  Feliz quem pôde vê-los jogar. Eu sou um deles.

QUE VENHA UMA NOVA ERA

* Guilherme Cardoso

Aconteceu o que se esperava. Seleção brasileira eliminada. Não jogou nada, uma e outra partida um pouco melhor, mas nunca convenceu os mais inocentes torcedores. Agora, pensar em 2014.

Que venha uma nova era. De jogadores, técnicos e estilo de jogo. Chega de copiar padrões europeus, que não tem nada a ver com nossa forma de jogar. Brasileiro gosta mesmo é de exibir, dar show, goleada. Jogo amarrado, retrancado, muito tático, cheio de jogadores comprometidos não faz bem à nossa tradição.

Queremos talento. O que nos agrada é o jogo irresponsável, moleque, bola entre as pernas, lençol, gaúcha, rabo-de-vaca. Gostamos é dos dribles tipo Garrincha, pedaladas como Robinho, lançamentos do jeito do Ganso.

Precisamos resgatar o futebol-arte, que nos faz chorar algumas vezes, quando perdemos, mas nos leva sempre à alegria, ao prazer de ver uma jogada brilhante. Nada de  quatro-três- dois, quatro-quatro-dois. Há que se ter coragem, audácia, partir pra cima dos adversários, usar o quatro-dois-quatro pelo menos.

Vamos apagar da memória os maus momentos desta copa, esquecer o arrogante Dunga, colocar na gaveta do esquecimento os 23 profissionais convocados.

Vamos renovar a seleção, buscar novos craques, e temos muitos, mudar nossa forma de pensar futebol, ser menos burocráticos e mais eficientes. Brasileiro não quer futebol de vídeo game, bola pra lá, bola pra cá, tudo matematicamente organizado.

Façamos uso do conceito que o mundo tem de nós, povo desorganizado, infantil,  irresponsável e vamos aplicar tudo no futebol e com certeza ninguém ganha mais da gente e muitas outras copas do mundo virão para nós. Com extrema facilidade.

Este artigo está publicado no Portal Uai: http://www.dzai.com.br/guilhermecardoso/blog/guilhermecardoso