OH,OH, MINAS GERAIS!


No último dia 14 de novembro fui assistir a peça Oh,oh, Minas Gerais. Melhor, fui rever, voltar no tempo, há exatamente 40 anos atrás. A montagem atual, sob a direção de Jair Raso, com atores do Grupo Cara de Palco está excelente, merece todos os aplausos. Continua crítica ao regime, com belos casos da gente mineira.

 

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Lembrei-me quando fui convidado pelo Jonas Bloch, na época um dos cabeças do Teatro Experimental, juntamente com Jota Dângelo. Eu trabalhava em Banco e o Jonas tinha uma loja de móveis antigos na R.Rio de Janeiro e era cliente da agência. Como eu atuava com algum destaque no teatro amador na Pompéia, o pessoal do Banco me apresentou a ele.

                                                                                  Jonas Bloch ao meio e Guilherme à esquerda

 

Fui convidado a montar uma peça, dividindo a responsabilidade com outro iniciante, Carlos Alberto Raton. Simultaneamente participamos como figurantes na peça Oh,oh, Minas Gerais.Era a época da ditadura militar, seu período mais duro e cruel. Quem dava as ordens no país era o general Médici. Quem se envolvia com jornalismo, grêmios estudantís, DCEs, movimentos religiosos e teatro era observado de perto, e qualquer escorregão, qualquer texto, fala ou representação que tivesse alguma crítica ao regime, logo era preso e às vezes desaparecia.Trabalhamos pouco, nem um mês e o sonho do teatro profissional desabou. A peça foi logo proibida.

 

Foi minha última investida no meio teatral. 1968. Não quis arriscar perder meu cobiçado e difícil emprego de bancário e nem ser preso, ir para a masmorra. No Ato Institucional nº 5, em 13 de dezembro de 1968, meu nome apareceu numa lista de investigados pelo DOPS, a Polícia do Regime de Belo Horizonte.

 

Nesta noite, agora, em 14 de novembro, pude rever alguns atores que atuaram quando do lançamento da peça. O José Maria Amorim está ainda melhor. O Jonas Bloch esteve presente, também a Mamélia Dornelles, mas faltaram o Raton e o Helvécio Ferreira.


DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA


* Guilherme Cardoso

 

Dia da Consciência Negra. 20 de novembro. Para que essa data?  Porque então não comemorar o Dia da Consciência Branca? Ou Dia da Consciência Indígena, da Consciência Pobre, e assim por diante? Aí está o preconceito que todos combatemos.

Para mim, não tem  essa de reservar este ou aquele dia para distinguir este ou aquele grupo de pessoas. Ainda mais pela diferença de cor. Não faz sentido. Se negros fossem indivíduos especiais, de outro planeta, com cinco braços e duas cabeças, tudo bem.  Seriam  manchetes  de jornais.

Mas seres humanos iguais na concepção, nascidos do mesmo jeito e no mesmo mundo, não podem ser tratados como diferentes. Ter datas comemorativas. O que precisamos de vez por todas admitir é que somos todos iguais, mesmo  falando em outros idiomas, e que não importa a cor da pele, branca, negra, amarela ou parda, na verdade somos uma só raça: a humana.

Desiguais, nós somos sim, nas condições financeiras, na idade, na riqueza e na pobreza, e nas oportunidades de acesso ao ensino, à saúde à moradia e ao trabalho. Branco ou negro. Basta ser pobre. Aí surgem as discriminações, os preconceitos, aparecem as barreiras, as dissimulações, as faltas de vagas, os nãos, hospitais sem leitos, escolas sem matrículas, empresas sem admitir.

Sou contra favores especiais a grupos considerados minorias. Esse negócio de cotas para negros e índios nas universidades mais parece esmola, ajuda a  incapazes ou incompetentes. Não deve ser assim. Transforma-se em  discriminação. Agora, contra os pobres, sejam brancos ou amarelos.

O que o Brasil precisa mesmo é de uma política clara de igualdade de oportunidades para todos. Fim da hipocrisia. Acabar com o paternalismo. Melhor distribuição de riquezas. Mais oferta de trabalho. Menos sonegação e impunidade e mais investimentos nos setores produtivos.

Concluindo. Precisamos nos unir e nos mobilizar enquanto excluídos da cidadania plena, ao invés de nos enfraquecermos nas discussões sobre raça e cor da pele. Somos um só povo. Divididos na dúvida, estamos fortalecendo os donos do poder e prosseguindo sem sucesso numa luta por direitos iguais.


PALESTRA: O DESEMPREGO


 

No último dia 12 de novembro, estive na Faculdade Novos Horizontes, unidade Santo Agostinho para participar do Projeto Interdisciplinar dos graduandos 2008. Fui convidado pelo coordenador do curso de Administração, professor Ernani Saraiva. O tema solicitado da palestra foi o Desemprego.

 

A palestra foi realizada para os alunos da parte da manhã, no horário de 9:30 às 10:30h e à noite, começando às 19:00hrs e terminando às 20:00hrs. O encontro foi interativo, com perguntas abertas aos participantes. O foco central foi a discussão e análise do comportamento de um cidadão quando se vê desempregado e o questionamento aos discursos adotados pelas empresas de que o capital humano é a parte mais importante do mercado.

 

 

 

 

 

 

 

 

Embora no mesmo dia e horários estivessem acontecendo outras palestras na faculdade, o comparecimento dos alunos foi muito bom, e pela receptividade e as palmas no final, parece que agradaram da exposição e debate.


REVISITANDO FREI TIAGO E FREI BENIGNO


   Márcio, Frei Benigno e Guilherme.                        Guilherme, Ari, Frei Tiago e Márcio.

 

No último dia 08 de novembro, resolvemos fazer uma visita à Pompéia e consequentemente, ao Frei Tiago e Frei Benigno. Frei Tiago, agora aposentado, celebra diariamente a missa das 7:00h e cuida de resgatar a história dos padres capuchinhos no bairro, que completa 70 anos em 2009.

Frei Benigno, com 71 anos completados em 11 de outubro, encontra-se com boa saúde e boa memória. Num rápido bate-papo no alpendre de sua casa, na R.Campinas, na Esplanada, ele perguntou por vários daqueles jovens da Juventude Franciscana.


CORREÇÃO DE APOSENTADORIAS


* Guilherme Cardoso

 

Eis aí uma notícia que os aposentados aguardam há muitos anos. Comissão do Senado aprova projeto que atualiza aposentadorias e pensões. Falta ser votado, depois sancionado pelo Presidente e virar lei. Espera-se que haja consenso entre os parlamentares e com isso corrigida uma grande injustiça jurídica e social que vem sendo feita contra todos os trabalhadores que se aposentaram a partir de 1992.

 

Até 1992, vigorava o critério de que o trabalhador ao se aposentar, com 35 anos de tempo de serviço, receberia tantos salários mínimos mensais, até o máximo de 10, na mesma proporção dos valores que tivesse recolhido no período ao INSS.

 

A partir de 1992, o Governo Federal mudou as regras e estipulou que as correções das aposentadorias de quem ganhasse mais de um salário mínimo fosse feita por um cálculo diferenciado do mínimo. Apenas quem ganhasse um salário mínimo continuaria recebendo integralmente os índices oficiais.  

 

Como a cada ano os índices que reajustam o mínimo têm sido sempre acima da inflação e os aplicados a quem recebe mais de dois mínimos foram sempre bem menores que a inflação, o que se constata nesses 16 anos passados, é que houve um enorme achatamento nos valores acima de dois salários, havendo exemplos de aposentados que em 1992 recebiam o equivalente a sete salários mínimos e hoje recebem praticamente dois salários.