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ANO DE PROMESSAS

* Guilherme Cardoso

Ano Novo está aí. 2010 iniciando com sonhos e esperanças de muitas realizações. É o bordão que a gente sempre passa e recebe dos amigos. É um ano de muitas promessas. Especialmente promessas políticas, de campanhas eleitorais e quase sempre nunca cumpridas.

Eleições presidenciais. Vamos ter que novamente escolher quem vai governar a nossa vida pelos próximos quatro anos. José Serra, Ciro Gomes, Aécio (?), Dilma Rousseff, um desses deve ser o sucessor de Luiz Inácio Lula da Silva.

Fazer previsões é difícil. Ainda mais quando se trata de eleições. Tudo pode acontecer nas últimas horas. Já vimos isto antes. Pela lógica, se é que existe lógica em política, a Dilma Rousseff tem tudo para ser a vencedora. Nem tanto pela competência e menos ainda pelo carisma. Ela não consegue passar simpatia, confiança. Demonstra muita arrogância.Mas tem a máquina governamental a seu favor, e o desejo e interesse expressos na vontade do presidente Lula, para manter intacta a estrutura petista, aguardando o seu retorno em 2014.

É só esperar. Façam suas apostas. Quem viver até lá, verá.

FELIZ NATAL E PRÓSPERO ANO NOVO!

Aos estimados amigos e colegas,

Que as festas do Natal e Ano Novo tragam paz e esperanças renovadas para se lutar em 2010 na realização dos sonhos de cada um.

E obrigado pelo interesse e paciência em ler os meus artigos postados.

Guilherme Cardoso.

JUSTIÇA FALIDA

* Guilherme Cardoso

Ah, tenho que escrever, falar, resmungar. Mesmo sabendo que minha voz não tem alcance, não é importante. Meus artigos ficam no blog, quando muito chegam por e-mails até alguns amigos e colegas. É minha forma de protestar, de indignar com o que andam fazendo e deixando de fazer os nossos  políticos, o Governo e as autoridades deste país.

Estados Unidos,  janeiro de 2007. Os bispos Sônia e Estevam Hernandes são presos no aeroporto de Miami, entrando no país com US$56 mil dólares sem declarar ao fisco. Algemados, presídio, uniforme listrado, apresentados à Corte, cinco meses reclusos, confissão de culpa, pagamento de multas e fianças. Justiça rápida.

Dezembro de 2009, cidade de São Paulo, Brasil. Justiça Federal condena casal Sônia e Estevam Hernandes, bispos da Igreja Renascer a quatro anos de reclusão por evasão de divisas. Motivo: os mesmos US$56 mil dólares pegos nos Estados Unidos. No  despacho, o juiz Fausto De Sanctis determina que a pena seja transformada em prestação de serviços e que os réus permaneçam em liberdade. O casal ainda diz que vai recorrer. Justiça capenga.

Duas sentenças para um mesmo crime, com dois resultados completamente diferentes. Lá, a rapidez, a eficiência a resposta imediata. Aqui, a protelação, a enrolação, a enganação, a demora, a impunidade. Um condena e pune. Outro faz de conta, condena, não pune, solta.

Difícil agüentar tanta corrupção no Brasil e tanta impunidade ao mesmo tempo. Não passa uma semana sem que um novo escândalo apareça nas telas da tevê. É Mensalão, Mensalinho,  Castelogate, Farra das Passagens, Nepotismo, dinheiro, na cueca, no traseiro e dentro das meias. Tudo documentado, gravado com imagens, sons e legenda. 

No Brasil, acusado jura não ser ele, tudo é mentira,  montagem, perseguição de inimigos. Muita cara de pau! Presidente ajuda o corrupto, precisa do seu apoio, amanhã o acusado pode ser ele, imagem do crime não é tudo, tem que aguardar investigações, Supremo é quem diz se há culpados. Até prescrever o crime,  cair no esquecimento.

Se fosse Japão, China, ou algum país oriental, empresário, político, autoridade qualquer, apanhados em delito grave, corrupção, desvio de conduta, assume, confessa, é punido, às vezes se mata. De vergonha do seu cliente, compatriota ou eleitor.

Aqui, tudo  diferente. No País da Fantasia, do faz de conta, do futebol, do samba, das mulheres peladas, os criminosos matam, recebem indulto, quase não ficam na cadeia. Bandidos se elegem para esconder de crimes, roubam desviam dinheiro público, viram deputados, senadores, governadores, negam mesmo com provas, Justiça aceita, não condena. Quando o faz, Supremo solta, dá habeas corpus, direito de recorrer, se for rico, algum prestígio, não fica preso. Aguarda em casa.

Cadê mobilização, revolta, passeatas, de estudantes, trabalhadores, artistas, sindicatos, federações, associações, igrejas? Como nos tempos da ditadura. Não se vê mais. Onde estão as cabeças bem formadas e informadas, intelectuais, artistas, profissionais liberais de diversas atividades que não aparecem para liderar um movimento de mudanças nesse país?

Se procurarmos, é bem provável que a esta hora, nove da noite, estejam todos em casa, de pijama, na poltrona,  vendo noticiários e novelas. Como eu, que protesto, apenas escrevendo.

BEBI, BEBI, BEBI E NADA ACONTECEU…

* Guilherme Cardoso

 

“Bebi, bebi, bebi”, esta é uma curta frase que ganhou as manchetes dos veículos de comunicação de todo o Brasil nesta semana. Nada inédito, porque em duas outras ocasiões, o cidadão –motorista –bêbado já havia feito das suas e repetido a frase. Sempre na frente das câmeras e na cara das autoridades. E nada aconteceu…

Da primeira vez,em julho de 2008, embriagado, em alta velocidade, bateu em outro veículo, foi preso, solto, carteira apreendida, não recolhida. Outubro do mesmo ano, novamente embriagado, pego em blitz, foge, apanhado em casa, de pijama, não aceita o bafômetro, recebe multa. Continua com a carteira.

Agora, novembro de 2009, habilitação cancelada só na conversa, carteira no bolso, dirige em alta velocidade, bêbado de novo, levado à delegacia, grita, ofende, dá entrevistas, debocha da polícia e da lei, confirma que bebeu todas e não está nem aí. Na marra lhe tomam a habilitação, recebe outra multa, é solto, impunidade, vai para casa, certamente amanhã estará nas ruas. Bebendo e dirigindo. Como explicar para os nossos filhos?

Esta é a lei que temos: frouxa, lenta e que não educa e nem pune. Apenas faz de conta, estardalhaço nas blitz, autoridades buscam aparecer na mídia, fazem discursos, prometem mudanças e rigor. Tudo para depois das eleições.

Se quisessem reduzir os acidentes, acabar é impossível, bastaria ser duro, intransigente e a lei mais clara e objetiva. Bebeu, dirigiu, bateu, atropelou, foi pego, multa, perde a carteira na hora. Vai preso, cadeia mesmo, com grades, algemas, roupa alaranjada, nem que seja por uns dias, algumas horas talvez.

Humilhado, exposto na mídia, nome e rosto nos jornais, família, amigos tomando conhecimento, se o sujeito tiver caráter, bons princípios e vergonha na cara, com certeza nunca mais comete a mesma infração.

Bebeu, atropelou, tirou a vida de alguém? Não tem perdão, escapatória, preso na hora deve ser, fica na cela esperando julgamento chegar. Naquela velocidade da Justiça.

Só assim a realidade muda e a violência no trânsito diminui.

MANDE NOTÍCIAS, ÂNGELO PRAZERES

* Guilherme Cardoso

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Com atraso de mais de um mês fico sabendo da morte do Ângelo Prazeres. Irreparável perda. Mando minhas mensagens de pêsames à esposa e familiares agora. Também sou jornalista. Gilú, seu apelido, foi meu ídolo e mestre nas letras nos anos 60 e 70. Se ainda hoje escrevo bem alguma coisa, devo muito às suas crônicas no Diário de Minas, jornal Estado de Minas e por último, Super Notícias.

Meu filho mais velho tem o nome de Ângelo, em sua homenagem. Outro, é Márcio Rubens.

Tenho na lembrança memoráveis crônicas que ele escreveu nos anos 60 e 70. Uma, em plena ditadura militar, quando agradeceu e criticou um convite para uma solenidade com a presença do General Garrastazu Médici. Outra, intensamente romântica, em que ele respondia uma carta de uma menina cega, que se dizia sua admiradora e “invejava” o seu jeito de ver e comentar o cotidiano. Na crônica, um verdadeiro poema, o Gilú respondia a moça, dizendo-lhe  que ele via as coisas, as pessoas, a realidade, de um jeito muito duro, cruel, e que ela sim, embora não tivesse os olhos, podia ver o mundo com mais pureza, mais doçura. E que ele é que devia ter inveja dela.

Ângelo Prazeres, Márcio Rubens Prado e Félix Fernandes Filho, este o mestre de todos, foram leituras preferidas minhas, naqueles tempos de sonhos românticos e repressões, familiares e políticas. Recortávamos suas crônicas, líamos e interpretávamos, eu e dois amigos, João Alves, que se foi, e José Luiz, que ainda está, recolhido de tudo e de todos.

Você partiu antes da hora, fora do combinado, como diz Rolando Boldrin, apresentador de programa de TV. 68 anos! Um menino. Hoje, tem gente vivendo até os 100. Você sacaneou com todos, debochou, saiu de mansinho, no meio da festa, sem avisar.

Ganhou lugar lá no céu, como escriba. Deve estar brincando com as palavras, escrevendo textos sobre o cotidiano dos anjos, tornando mais “suportáveis” os dias sem fim que ficará por lá. E agradando o Mestre, com certeza.

PS- oh, não deixe de mandar notícias daí. Estamos esperando. Quem sabe, se forem boas, a gente até se anima a qualquer hora encontrar com você?

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